domingo, 31 de maio de 2009

Origem

“Há um princípio que criou a ordem, a luz e o homem, e um princípio mau que criou o caos, as trevas e a mulher.” Pitágoras ****

“Tudo o que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um tempo, juiz e parte.” Poulain de la Barre ****

Não foi uma nem duas vezes que já me deparei sozinha ou com outras a me perguntar de onde veio tudo isso? Leia-se, de onde veio a desigualdade entre os sexos. O primeiro raciocínio veio da lógica do falo. O homem naturalmente tem o falo/pênis e fabricou a arma, o bastão que lhe conferiu poder. Logo, o poder era do falo.

Partindo desse raciocínio finalmente comecei a ler O Segundo Sexo, da filósofa Simone de Beauvoir. Por detrás de toda a complexidade e das muitas páginas, é um susto atrás de susto. Primeiro, de ver como algo escrito em 1959 cai como uma luva nos nossos dias. E em segundo, é como se ela abrisse meus olhos cada vez mais. Desde o início do livro ela ensaia a resposta que busco: quando, por que nós fomos subjugadas.

Na página 84, do volume 1. Fatos e Mitos, a resposta me veio tão óbvia e devastadora. A grande derrota feminina veio quando deixamos de arriscar nossas vidas e fomos enclausuradas no meio privado. O sexo que venceu foi aquele que mata. Aqui está o trecho, letra por letra, onde Beauvoir iluminou minhas vistas: “A maior maldição que pesa sobre a mulher é estar excluída das expedições guerreiras. Não é dando a vida, é arriscando-a que o homem se ergue acima do animal; eis por que, na humanidade, a superioridade é outorgada não ao sexo que engendra e sim ao que mata. Temos aqui a chave de todo o mistério.”

Dos tempos da caverna para cá, me pergunto: o que representa as atuais “expedições guerreiras”? Tudo o que conquistamos ou que nos cederam, como simplesmente trabalhar e estudar, tornou-se comum às mulheres. Me inquieta é enxergar onde posso ir além, quebrar limites. Porque não passa de ilusão a ideia que hoje somos livres. Ao menos, o local onde eu quero chegar eu já sei: sentir a liberdade por completo. E não a concepção masculina da coisa. Quero ser sujeito do meu próprio destino, para enfim ser feliz. E é basicamente disso que se trata o feminismo.

**** Frases impressas antes do início do texto de Simone de Beauvoir, no livro O Segundo Sexo.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Uma pequena dica:


“Sejam vocês mesmas! Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso. A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos. Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente. 
Desde que seja seu mesmo.”   
(Helen Palmer ou Clarice Lispector)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Uma pequena nota:

Veio o patriarcado e depois o capitalismo e com isso as desigualdades. O homem criou o capitalismo. As mulheres foram jogadas nessa cultura que nada tem a dizer sobre elas.
Estupros, opressão, escravidão: a masculinidade branca hetero trouxe isso. Nós, mulheres, vivemos com medo de sair às ruas e sermos atacadas por todo esse ódio dos homens machos.
Nós resistimos no dia-a-dia. Cada passo dado é uma vitória nossa. Nós resistimos e persistimos por nossas vidas. Eu penso que a vida é fácil para os homens.

sábado, 20 de setembro de 2008

Fruto Proibido?


A música como arte está sujeita a diversas interpretações. E ao ouvir “Fruto Proibido” da Rita Lee me bateu logo uma inquietação. Será que ela está falando isso mesmo que estou pensando? Confiram:

“Não é nada disso, alguém fez confusão! / Vou dar um tempo, preciso distração/ Às vezes cansa minha beleza / essa falta de emoção e de sensação // Quem foi que disse que eu devo me cuidar? / Tem certas coisas que a gente não consegue controlar / Comer um fruto que é proibido, você não acha irresistível?/ Nesse fruto está escondido o paraíso, o paraíso // Eu sei que o fruto é proibido, mas eu caio em tentação / Acho que não! //”

Agora vamos à minha fritação:

Quem na história do cristianismo ofereceu o Fruto do Conhecimento do Bem e do Mal (o fruto proibido do Jardim do Éden, o paraíso) para o Adão? Na sociedade construída a partir desses princípios, quem passou a ser sinônimo de pecado, tentação? Sim, a representação de Eva na Terra, a mulher. Mais adiante, de todas as pessoas que as mulheres podem se relacionar quais são extremamente proibidas para a gente? Outras mulheres, claro.

Pode parecer viagem da minha cabeça, mas qual a função da música senão nos proporcionar viajar sem sair do lugar? Por via das dúvidas, eu (Alien She) mandei a música para a Femme ouvir. Ela concordou comigo, no nosso ponto de vista, o assunto de “Fruto Proibido” é mesmo o lesbianismo.

p.s.: Estou cheia de interrogações hoje, hein!?

domingo, 24 de agosto de 2008

Elas se amam


2º Festival de Cinema Lésbico propõe quebra do preconceito

A cultura como meio de combate ao preconceito é a proposta do 2º Festival de Cinema Lésbico – Elas se amam. A segunda edição do projeto será aberta no dia 29 de agosto (próxima sexta-feira) no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro. A abertura vai contar com a apresentação da cantora Isabela Abrahão, às 19 horas, com entrada franca. O 2º Festival Elas se amam é uma realização da Lilases – Articulação Lésbica Feminista de Goiânia.

Ao longo da próxima semana, o festival exibirá 16 filmes de diversas épocas e países. Além de retratar o envolvimento amoroso entre mulheres, o Festival Elas se amam pretende mostrar a dificuldade e o preconceito que esses relacionamentos enfrentam. A organização também tem por objetivo contribuir para a transformação do imaginário social, combatendo a resistência à homossexualidade feminina.

As exibições começarão no sábado (30/08) e vão até o dia 07 de setembro, no Cine Goiânia Ouro. O ingresso custa R$ 1,00 e o evento terá sempre três sessões diárias, às 12h30, 15:00h e 20h30.


Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

O 2º Festival de Cinema Lésbico – Elas se amam é realizado em comemoração ao 29 de agosto - Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Com a função de garantir a visibilidade das discussões e lutas em prol dos direitos sexuais, a data foi criada pelo movimento feminista lésbico em 1995.

Lilases – Articulação Lésbica Feminista de Goiânia

A Lilases é uma organização política de mulheres lésbicas que tem por objetivo a promoção da cidadania de mulheres lésbicas e bissexuais. Além disso, essa organização trabalha para aprofundar a reflexão feminista na arena política e discussão de questões como: a liberdade de orientação e expressão afetivo-sexual. O principal eixo de ação da Lilases é a formação de mulheres lésbicas e o desenvolvimento de ações educativas no campo da sexualidade humana.


sábado, 16 de agosto de 2008

"Ângulo fora de esquadro/ objeto fálico"


Esses dias recebi um email, tendo essa fotinha de ilustração e os seguintes dizeres:


Nova moeda a circular nos proximos dias.

O Governo Federal lançou hoje a nova moeda que substituirá a de 1 Real: 1 CRÉU.
Começará a circular já nos próximos dias em todo o território nacional.
Veja como ficou a nova moeda de 1 CRÉU.


Com o desenho, a gente tem o seguinte raciocínio lógico: governo, representado pelo homem, opressor e povo, representado pela mulher, oprimido. A idéia é interessante já que mostra a relação opressor/oprimido e relaciona com a questão de gênero. Veja que, no desenho, a mulher é rebaixada justamente no ato sexual. É humilhante sim, mas levaria a reflexão sobre mil coisas, como por exemplo o falocentrismo (a centralidade do falo ou pênis na existência humana).

Simplificadamente, essa é a cultura que passou a existir com a comparação entre arma e poder. Assim, a arma/bastão passou a ser associada ao órgão sexual masculino. Então, quem possui pênis tem poder, para quem é desprovida desta arma resta a passividade e aceitação.

Para exemplificar, basta olharmos o comportamento das pessoas a nossa volta. É tão comum ver homens se gabar de ter “comido” todas as garotinhas da festa. Mas peraí, vamos voltar ao ato elementar e literal do verbo comer. Quem come é a boca e não a comida. Logo, na associação entre comer e penetrar quem “come” é a mulher. É tão óbvio!!

Não entendo como aceitamos e cumprimos o eterno papel de “comida”, serva, passiva da masculinidade. Aliás, não entendo porque o objetivo do e-mail é o oposto desse raciocínio, ridicularizando com a imagem das mulheres. E por fim, não entendo como quem me mandou tal e-mail seja justamente uma mulher!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Começo...

Fiquei um bom tempo pensando no que escrever em meu primeiro post aqui, até que veio uma idéia óbvia. Vamos começar pelo começo! E antes de tudo, me perguntei: porque uma pessoa se torna feminista? Por ideologia? Através do estudo acadêmico? Para contestar a ordem vigente? Moda? Bom, deve haver milhares de motivos e eu peguei o caminho mais fácil (na minha concepção) entre eles: o cotidiano.

Sim, porque o velho ditado parece mesmo ser verdadeiro: não existe melhor escola que a vida. Quando se começa a perceber que a sociedade não te permite fazer determinadas coisas, te julga, decide o teu futuro... com base no que você carrega no meio das pernas. Quando se percebe isso, passamos também a enxergar de outra forma valores e comportamentos enraigados nas nossas próprias entranhas sociais.

“Onde estão as mulheres nos livros de história?” Essas e tantas outras questões brotam na mente, até que finalmente descobrimos onde elas estão: escondidas sob o véu do patriarcado. Há quem ache esse discurso velho e feminismo coisa do passado. Mas, por que o salário das mulheres ainda é mais baixo do que o masculino? Por que ainda sofremos violência doméstica? Ou por que eu seria considerada puta se pegasse todos numa festa e, caso meu amigo fizesse o mesmo, seria o garanhão da noite?

São perguntas clichês, mas que toda mulher deve se fazer. Nós, mulheres, somos hoje a maior população brasileira e a maior parte do eleitorado que vai às urnas em outubro (51,8% do total). Apesar de eu não acreditar na via eleitoral como possibilidade de mudança, o número representa o poder que temos nas mãos. Imaginem, mulheres mobilizadas e unidas na luta contra o sexismo e tudo mais que nos oprime. Com essa utopia na mente e ação nos braços, podemos construir uma nova realidade que começa a partir do despertar de cada menina, moça e senhora espalhadas pelo mundo.